O Facebook serve pra que?

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Confesso que faz quase 30 dias que penso em sair do Facebook, Linkedin, Instagram, Pinterest e outras redes, numa tacada só. Twitter fica por enquanto, ainda acredito na plataforma. Estou me sentindo como a jornalista Marion Strecker, que diz hoje (31/3/2014) na Folha de S. Paulo; “fiquei pensando que faço parte de uma geração de transição: nasci analógica, cresci elétrica e amadureci eletrônica” (…). Um dia, quando a humanidade acabar, esse mundo tecnológico não vai mais ter importância nenhuma (…)”. Acabo de lançar o livro “No tempo das telas”, com o amigo Fabio Fernandes, e ando angustiada vendo a mediocridade crescer exponencialmente no Facebook.

Tem prevalecido — em volume de posts e comentários –, o mundo do consumo, da beleza construída em consultórios médicos, dos cruzeiros de navio, verdadeiros cenários de comédias da Globo Filmes, onde os turistas narram pelo Instagram até o tipo de azeitona que colocam no drink vendido no bar do convés. Das viagens a Miami para comprar quilos de roupas na Forever 21, marca que também desembarcou no Brasil ancorada por forte campanha digital de blogueiras adolescentes que vivem e pensam apenas no “look do dia”, como se isso tivesse alguma importância para o planeta.

A WWW acaba de completar 25 anos com muita URL bacana, mas também com muito lixo. Como dizemos no  livro “Nem lá, nem cá”. O que acho preocupante, como pensadora, é que o lixo está maior do que o bacana. Falando em aniversariantes ilustres e lixo tecnológico, amanhã (1/4/2014) o Gmail completa uma década. Faz 10 anos que sou totalmente dependente dele. O Gmail organiza meus contatos, meu dia a dia. São 82 marcadores coloridos que tentam dar conta, em tarjinhas, da interface quase amigável. GoogleDocs armazena minhas aulas. Google+ guarda hangouts interessantes para serem expostos em sala de aula. E além disso, o Google investiga a vida alheia com avançado Bigdata.

Enfim, aniversário serve para se fazer balanço da plataforma e de nós usuários. Vivemos a falta de espaço físico, as estantes diminuindo nas moradias, os livros físicos sumindo das casas, os arquivos digitais à mercê da computação em nuvem. Sem falar na nossa memória coletiva sendo delegada há pelo menos 10 anos ao Google e seu eficiente Gmail. Prometo escrever mais, mas a hérnia de disco anda impedindo a digitação. (Pollyana Ferrari).

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