APPs e o Amor Líquido

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A reversibilidade da web, com vários acessos possíveis, está presente em tudo.  Não é de hoje que ouvimos, por exemplo, o termo “relacionamentos online”. A expressão marcou presença no final dos anos 1990 e começo dos 2000 com as salas de bate-papo em grandes portais brasileiros como UOL, IG, Globo.com, além de comunicadores instantâneos como ICQ e MSN. Mas esse tipo de “amor líquido”, como nos ensinou Bauman cresce exponencialmente.

Vivemos em 2014 a era dos aplicativos afetivos como #lulu, #tubby, #tinder, entre outros. Não só nos relacionamentos. As pessoas acessam o #Instagram porque é mais fácil curtir ou postar uma foto do celular. Pedem comida pelo #APP porque é mais fácil. Chamam táxis pelo celular porque é mais fácil. Você tem a possibilidade ainda de se conectar pelo Facebook, que evita inúmeros cadastros ou ainda usar a geolocalização para encontrar pessoas e serviços perto de você.

Porém, toda essa facilidade nos coloca na chamada “zona de conforto”, que nos dá a falsa impressão de que estamos protegidos atrás das telas. A zona de conforto já está presente em nossas vidas mediadas por telas há algum tempo como, por exemplo, na funcionalidade de mandar parabéns pelo Facebook, ao invés de usar o telefone ou mesmo dizer feliz aniversário ao vivo. É fácil, indolor e confortável ter a tela te avisando dos aniversários.

Como será a narrativa no mundo WhatsApp? O que esses adolescentes que possuem centenas de contatos 24 horas por dia ativos no WhatsApp trocam com seus pares? Acho que está na hora de começar a olhar outros ambientes narrativos para tentar formular alguma visão do porvir, apesar de ter a certeza que não existe coisa mais difícil de prever do que o futuro do software e da comunicação. Para Dave Evans, “a mídia social é a democratização da informação, transformando pessoas leitoras de conteúdo para publicadora de conteúdos”, uma interação social “usada efetivamente através da participação e da influência, não através de comando ou controle” como ocorria na mídia tradicional. (Pollyana Ferrari).

A vida no tempo das novas mídias

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Em pleno século XXI, as telas permeiam o dia a dia de muita gente. Difícil encontrar, nas grandes metrópoles, quem nunca tenha ouvido falar de computadores, ou tablets ou outros objetos tecnológicos. As novas realidades experimentadas diariamente são abordadas em um misto de ficção e análise no livro de Pollyana Ferrari e Fábio Fernandes.

A editora Estação das Letras e Cores lança o livro No tempo das telas: reconfigurando a comunicação no próximo dia 26 de março na livraria Cultura do Shopping Bourbon. Nele, os escritores envolvem o leitor numa viagem pela constelação de relacionamentos, sentimentos, informações e desejos que circulam em fluxos nas telas presentes na vida de oito personagens.

“Propomos mapear nossa relação diária com as telas, sejam de celulares, laptops, tablets e outros dispositivos.”

O livro é um thriller científico, com personagens ficcionais que vivenciam experiências reais do nosso dia a dia conectado onde suas interrelações mediadas por telas acabam se tornando uma espécie de rizoma deleuziano, mas sem o peso didático. São cenas baseadas em fatos reais ou mesmo ficcionais, em coisas que aconteceram com nós mesmos ou amigos, amigos de amigos, pedaços de diálogos entreouvidos na rua, enfim, o mundo multifacetado como ele é hoje.

“Propomos mapear nossa relação diária com as telas, sejam de celulares, laptops, tablets e outros dispositivos. E como o uso de aplicativos como Twitter, WhatsApp, Facebook, Instagram e milhares de APPs  vem mudando a forma das pessoas se comunicarem e por consequência a Comunicação”, diz Pollyana Ferrari.

A sociedade informacional, vislumbrada por Castells, tornou-se mais flexível, remixada e cheia de camadas do que pensávamos no final do século XX. “É uma mistura do tempo líquido proposto por Bauman com as experimentações técnicas de Manovich e sócio-antropológicas de Latour. Transitar torna-se, na nossa opinião, a melhor bússola desta primeira metade do século XXI”, explica Fabio Fernandes.

Tudo virou de cabeça pra baixo e a Comunicação é um agente fundamental para construção de memória e sentido nesse novo contexto social. “Como comunicadores, devemos nos concentrar em propor melhorias para promover o uso da não-linearidade, cuja cognição ocorrerá conforme a bagagem cultural e sígnica de cada leitor”, ensinam Pollyana e Fabio.