Facebook, parte 2

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Eu também saí do Facebook estes dias.

Não foi a primeira vez. Saí em meados de 2013, porque estava em um curso de imersão nos Estados Unidos e não podia mesmo me desconcentrar com a Web – e como o Facebook desconcentra! Na verdade, eu havia voltado a usa-lo depois de anos inerte, usando apenas o Twitter, que sempre foi para mim muito mais eficiente para transmissão de informações e conversas. O FB para mim é uma plataforma eficiente para quem quer não o diálogo, mas o monologo, o intelectual ou pseudo que quer gritar para o mundo suas ideias e não quer necessariamente discutir (a quantidade imensa de pessoas que expõem suas ideias ali e não respondem às pessoas que desejam uma discussão faz pensar). Para mim isso não interessa; interessa é a discussão. e não a discussão dos trolls, que querem é descer o malho simplesmente porque sim; uma discussão pertinente e relevante, que faça pensar. Certamente isso existe no Facebook, como em qualquer outro lugar. Mas eu não a tenho encontrado com frequência. Então, como diz o ditado, os incomodados que se mudem. Mudei-me.

PS 1: A loucura é que outro dia uma aluna me disse: tenho medo de sair do Facebook porque tenho medo de que esqueçam de mim. não é pouca coisa. quando a presença se mudou para o mundo online, e nos afastamos do online, estaremos nos tornando párias?

PS2: Já estou recebendo e-mails de amigos (também não é a primeira vez) me perguntando se está tudo bem porque saí do Facebook. A patologia é estar no Facebook ou sair dele?

(Fábio Fernandes)

 

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O Facebook serve pra que?

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Confesso que faz quase 30 dias que penso em sair do Facebook, Linkedin, Instagram, Pinterest e outras redes, numa tacada só. Twitter fica por enquanto, ainda acredito na plataforma. Estou me sentindo como a jornalista Marion Strecker, que diz hoje (31/3/2014) na Folha de S. Paulo; “fiquei pensando que faço parte de uma geração de transição: nasci analógica, cresci elétrica e amadureci eletrônica” (…). Um dia, quando a humanidade acabar, esse mundo tecnológico não vai mais ter importância nenhuma (…)”. Acabo de lançar o livro “No tempo das telas”, com o amigo Fabio Fernandes, e ando angustiada vendo a mediocridade crescer exponencialmente no Facebook.

Tem prevalecido — em volume de posts e comentários –, o mundo do consumo, da beleza construída em consultórios médicos, dos cruzeiros de navio, verdadeiros cenários de comédias da Globo Filmes, onde os turistas narram pelo Instagram até o tipo de azeitona que colocam no drink vendido no bar do convés. Das viagens a Miami para comprar quilos de roupas na Forever 21, marca que também desembarcou no Brasil ancorada por forte campanha digital de blogueiras adolescentes que vivem e pensam apenas no “look do dia”, como se isso tivesse alguma importância para o planeta.

A WWW acaba de completar 25 anos com muita URL bacana, mas também com muito lixo. Como dizemos no  livro “Nem lá, nem cá”. O que acho preocupante, como pensadora, é que o lixo está maior do que o bacana. Falando em aniversariantes ilustres e lixo tecnológico, amanhã (1/4/2014) o Gmail completa uma década. Faz 10 anos que sou totalmente dependente dele. O Gmail organiza meus contatos, meu dia a dia. São 82 marcadores coloridos que tentam dar conta, em tarjinhas, da interface quase amigável. GoogleDocs armazena minhas aulas. Google+ guarda hangouts interessantes para serem expostos em sala de aula. E além disso, o Google investiga a vida alheia com avançado Bigdata.

Enfim, aniversário serve para se fazer balanço da plataforma e de nós usuários. Vivemos a falta de espaço físico, as estantes diminuindo nas moradias, os livros físicos sumindo das casas, os arquivos digitais à mercê da computação em nuvem. Sem falar na nossa memória coletiva sendo delegada há pelo menos 10 anos ao Google e seu eficiente Gmail. Prometo escrever mais, mas a hérnia de disco anda impedindo a digitação. (Pollyana Ferrari).

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A vida no tempo das novas mídias

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Em pleno século XXI, as telas permeiam o dia a dia de muita gente. Difícil encontrar, nas grandes metrópoles, quem nunca tenha ouvido falar de computadores, ou tablets ou outros objetos tecnológicos. As novas realidades experimentadas diariamente são abordadas em um misto de ficção e análise no livro de Pollyana Ferrari e Fábio Fernandes.

A editora Estação das Letras e Cores lança o livro No tempo das telas: reconfigurando a comunicação no próximo dia 26 de março na livraria Cultura do Shopping Bourbon. Nele, os escritores envolvem o leitor numa viagem pela constelação de relacionamentos, sentimentos, informações e desejos que circulam em fluxos nas telas presentes na vida de oito personagens.

“Propomos mapear nossa relação diária com as telas, sejam de celulares, laptops, tablets e outros dispositivos.”

O livro é um thriller científico, com personagens ficcionais que vivenciam experiências reais do nosso dia a dia conectado onde suas interrelações mediadas por telas acabam se tornando uma espécie de rizoma deleuziano, mas sem o peso didático. São cenas baseadas em fatos reais ou mesmo ficcionais, em coisas que aconteceram com nós mesmos ou amigos, amigos de amigos, pedaços de diálogos entreouvidos na rua, enfim, o mundo multifacetado como ele é hoje.

“Propomos mapear nossa relação diária com as telas, sejam de celulares, laptops, tablets e outros dispositivos. E como o uso de aplicativos como Twitter, WhatsApp, Facebook, Instagram e milhares de APPs  vem mudando a forma das pessoas se comunicarem e por consequência a Comunicação”, diz Pollyana Ferrari.

A sociedade informacional, vislumbrada por Castells, tornou-se mais flexível, remixada e cheia de camadas do que pensávamos no final do século XX. “É uma mistura do tempo líquido proposto por Bauman com as experimentações técnicas de Manovich e sócio-antropológicas de Latour. Transitar torna-se, na nossa opinião, a melhor bússola desta primeira metade do século XXI”, explica Fabio Fernandes.

Tudo virou de cabeça pra baixo e a Comunicação é um agente fundamental para construção de memória e sentido nesse novo contexto social. “Como comunicadores, devemos nos concentrar em propor melhorias para promover o uso da não-linearidade, cuja cognição ocorrerá conforme a bagagem cultural e sígnica de cada leitor”, ensinam Pollyana e Fabio.